É o que me convém

- Sei não.

            O verão que chega à tarde me permite tantas exclamações, mas recusa-me uma única reticência, justa aquela que colocaria eternidade na nossa conversa e que a deixaria mística até a próxima estação. Pois bem, que sustentemos o alegórico que a compôs para que tenhamos por onde começar depois e um porque para não findá-la, uma vez que naquela noite que ficamos acordados a noite inteira – além e longe – você bem que ocupou os meus dias subseqüentes e distorceu a minha rotina, mas não tratou de calar a tua boca ao pé do meu ouvido e nem de calar a minha alma.

              Acordo e ao invés de revirar o teu cabelo reviro a última página daquele livro da Dickinson que você esqueceu aqui em casa, logo há um pouco de ti na minha cama nessa louca noite – e o que me conforta e me ergue não é o pouco que a tenho, mas a insanidade da noite, já que é algo tão maquinal a sua ausência e a presença daquela carta (me submergindo me devorando) que tenho que concordar com Rubem Alves quando me diz que você escreve para que eu fique sozinho, pra que eu leia sobre aquele momento que não existe mais.

            Deixo de lado esse acordar aborrecível, tento não lembrar daquela música, tento não levantar com o pé direito, tento não pensar no melhor, assim eu não me surpreendo ao ler o jornal com as previsíveis novidades. Mas há uma relutante esperança – de luto – em mim que ainda me faz indagar: será que a maldade já se jogou de um prédio ou então podemos deixar de carregar as cruzes das crises? Acordar é o primeiro passo, deixe-me lavar o rosto e ir trabalhar, tenho tantos pensamentos para pagar.

~ por Nathany em 11/02/2009.

12 Respostas to “É o que me convém”

  1. q inspirador! vc sabe como e onde usar belas palavras!

  2. “mas recusa-me uma única reticência, justa aquela que colocaria eternidade na nossa conversa” Adorei essa. Texto leve, bonito e inspirador. Excelente.

  3. “Deixo de lado esse acordar aborrecível, tento não lembrar daquela música, tento não levantar com o pé direito, tento não pensar no melhor, assim eu não me surpreendo ao ler o jornal com as previsíveis novidades.”

    Realmente muito profundo e inspirador esse texto

    =D

    http://ownedando.blogspot.com/

  4. “Deixo de lado esse acordar aborrecível, tento não lembrar daquela música, tento não levantar com o pé direito, tento não pensar no melhor, assim eu não me surpreendo ao ler o jornal com as previsíveis novidades.”

    Realmente muito profundo e inspirador

    =D

    http://ownedando.blogspot.com/

  5. Ah, como é raro alguém escrever na primeira pessoa. Muito intenso o que você escreve, sabia? E muito gostoso de ler.

  6. concordo com o Renan texto leve, bonito e inspirador…
    também gostei do trecho que ele citou

  7. opa…obg pelo comentário, e eu venho te explicar sobre fausto…

    a frase é: “ninguém, se preocupa com o Fausto”.

    é uma frase minha, de idéia neodadaista ou como eu gosto de dizer dadaista do século XXI, que consiste em frases, que aparentemente não tem sentido, porém tem um sentido implicito…então vamos a explicação:

    esse ninguém, NÃO é pronome indefinido de nenhuma pessoa. E sim substantivo feminino de alguém sem importância…ok..

    E fausto NÃO é nome próprio…e sim Substantibo masculino, no caso: Luxo, pompa, onstentação..

    ai traduzindo seria: Pessoas sem importância(a forma como os pobres são tratados) se preocupam com o luxo com a pompa (no caso com os ricos)…

    E se você ler, o texto (espero que tenha lido) a frase se encaixa perfeitamente…ok..

    explicado…um abraço !!!

    http://osentidoeoverbo.blogspot.com/

  8. ai meu Deus quase que eu vôo!
    Já pensou em ser escritora? ou já é?
    parabéns!

  9. intenso, forte e bonito!

    palavras bem colocadas

  10. ótimo texto, você tem muito talento, parabéns!

  11. Você escreve muito bem. Adorei o texto.
    Parabéns!

  12. Legal, continue…

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